22/03/2015

O uso literal e retrogrado da religião na morte de uma mulher.

   

         O video já correu mundo e eu já me referi a ele na pagina facebook "moescor". No entanto à medida que fui sabendo mais sobre a sua historia, decidi que devia escrever sobre ele também aqui no blog. Tudo aconteceu na passada quinta-feira, 19 de março, no Afeganistão. Uma mulher foi linchada até à morte e depois queimada por uma multidão em fúria. O motivo? Ela teria supostamente queimado um exemplar do Alcorão. O problema é que nao ha nenhuma prova de que ela o tenha feito e parece que sofria de problemas mentais. Se é verdade que afinal ela nao queimou livro nenhum, nao é a primeira vez que uma pessoa inocente morre por uma razão irracional. Ja houve antes historias de pessoas acusadas de blasfémia e que pagaram com a vida o seu falso erro. Na verdade e sabendo da extrema sensibilidade de muitas pessoas afegas, paquistanesas e de outros países dominados pela religião muçulmana, a tudo o que é passível de atacar esta manifestação espiritual, certos indivíduos aproveitam-se disso para tentarem eliminar pessoas de outras religiões, adversários políticos ou simplesmente vizinhos com quem nao se dao bem. Ainda no ano passado ou mesmo antes, agora nao me lembro bem, uma jovem rapariga esteve quase para sofrer o mesmo destino da mulher de quinta-feira e também por causa da mesma acusação. Felizmente foi presa pela policia para ser protegida da fúria da multidão. Mais tarde soube-se que tinha sido falsamente acusada por um Ima so porque era crista. Apesar de provada a sua inocência teve de abandonar a cidade onde vivia juntamente com a sua família. Vê-se assim nestes dois exemplos, o extremo radicalismo que existe em parte da religião muçulmana principalmente em certas sociedades mais conservadoras que se guiam por aquilo que dizem ser a versão original do islamismo e a mais pura. O facto de acreditarem tao literalmente no que esta escrito no livro sagrado indica uma clara falta de reflexão critica sobre o que os rodeia. O caso é mais grave e perturbador no que toca à religião que nunca é posta em causa e acreditada cegamente. Assim para essa gente que mata uma mulher apenas porque foi acusada de queimar o Alcorão, nada ha de mais normal porque estão a obedecer à lei de Deus. Para se ter uma comparação, seria o mesmo que um grupo de radicais cristãos começasse a aplicar a lei do antigo testamento contra actos de blasfémia. Pergunto-me no entanto se, e imaginando como real a existência de uma divindade superior, este teria aceitado que uma pessoa fosse morta de forma tao violenta em seu nome. Creio existir aqui uma contradição entre o Deus mensageiro de paz anunciado por quase todos os muçulmanos e a interpretação vingativa e radical que lhe dao os extremistas.
      Na morte absurda desta mulher, é preciso também notar que nao foi um grupo terrorista o autor de tal acto mas gente de uma cidade que vivem a sua vida normalmente, que muito provavelmente nao estão ligados logisticamente a movimentos radicais, mas têm em comum uma interpretação extremista e literal da religião. E isto é demasiadamente grave porque enquanto houver pessoas a acreditar de forma tao cega e usarem de forma tao violenta a religião, vai ser muito difícil ou mesmo impossível acabar com o terrorismo islamista. Mais do que uma guerra pelas armas, torna-se necessária uma guerra pelas palavras e pelo pensamento. Isto porque se houver so a primeira, é provável que se acabe com os grupos terroristas, mas a ideologia que os alimenta vai continuar de pé. Mas se houver liberdade de pensamento, a hipótese de reflectir e por em duvida os dogmas da religião, pode-se acabar com a violência sem por em causa a crença em algo superior como alguns se calhar receiam. Basta ver os exemplos de Tunísia e Portugal, países onde existe uma importante componente religiosa e ao mesmo tempo um pensamento moderno liberal. Nao é porque os ensinamentos de uma religião sao postos em causa que essa religião vai acabar. Enquanto o mundo muçulmano nao aprender a ver a religião com outros olhos, enquanto houver pessoas que nao aceitam ataques terroristas em nome do islão mas que ao mesmo tempo nao aceitam o direito de criticar a religião, enquanto nao houver movimentos maciços  de protesto contra actos bárbaros, enquanto houver quem viva ainda no passado e faça uso da lei divina como se nao tivesse havido evolução da humanidade, enquanto nao houver a expansao de um movimento intelectual que derruba a velha ordem do islao, tal como aconteceu com o iluminismo na Europa, o mundo vai continuar a assistir a mortes inexplicáveis como a desta mulher no Afeganistão.

Activistas da sociedade civil e familiares reunidos à volta do caixão de Farkhunda de 27 anos, assassinada por uma multidão, durante o seu funeral. (AP)







Para ver a ligação da noticia: "As imagens de um linchamento brutal no Afeganistão"

PS: Ao menos uma boa noticia: "Policia prende linchadores de afega acusada de queimar Alcorão."

Da luta pela democracia e da solidariedade com o povo tunisino.

 


         No passado dia 18 de março, a Tunísia foi abalada por um ataque terrorista na sua capital que provocou 22 mortes. Em mais uma demonstração de radicalismo brutal e absurdo, dois membros do Estado Islâmico entraram num dos mais importantes museus de Tunis, o museu do Bardo e atiraram a matar indiscriminadamente contra os que la estavam. Até esse dia, a Tunísia tinha sido poupada à violência dos grupos extremistas mas dessa vez chegou a ela a vez de conhecer esse flagelo. E foi um rude golpe porque era e é a única democracia do mundo árabe e principalmente a única saída da primavera árabe. Dos países onde houve revoltas populares, a Síria continua mergulhada numa guerra terrível, o Egipto depois da ditadura militar, conheceu um regime islamista e regressou a um regime militar, no Bahrain e no Iémen, apesar dos protestos populares, os poderes instituídos e anti-democráticos mantêm-se à frente dos seus regimes. A Tunísia tem atravessado um período pos-revolucionário mais ou menos difícil mas tem-se aguentado sem cair na anarquia ou numa ditadura militar ou religiosa. De certa forma o período que ela atravessa faz lembrar o biénio 1974-1976 em Portugal no qual quase houve uma guerra civil e muita confusão até à estabilidade política e às primeiras eleições democráticas e livres. Em ambos os casos, a eleição das respectivas assembleias nacionais marcou o fim de um tempo mais agitado para começar um tempo supostamente mais estável. A diferença é que essa estabilidade ainda nao chegou de forma concreta à Tunísia, como se viu na passada quarta-feira. Apesar de todos os avanços no caminho da democracia, ela nao esta imune a uma deriva islamista e radical, se bem que esteja melhor preparada para tal eventualidade, do que outros países árabes. Uma das causas desta ameaça contra a democracia é o facto contraditório de apesar de ser a única democracia árabe é também o pais de onde sai mais jovens para as fileiras do EI. Contraditório e alarmante sobre a situação do país. Uma das causas da revolução tunisina em 2011 que acabou com a ditadura foi a pobre situação da economia; ora em qualquer revolução a transformação economica da sociedade é mais lenta e mais demorada do que a transformação política. Alias estando muitas vezes ligada à corrupção, a economia carece de um verdadeiro impulso que melhore a condição de vida da população (mais uma semelhança com Portugal). Ora é esta lentidão ou mesmo falta de interesse por parte dos responsáveis politicos que tem empurrado muitos jovens tunisinos para o terrorismo do EI. Esta organização terrorista faz aqui o papel de um partido populista e extremista na medida em que aproveitando-se da desilusão da juventude com uma revolução que ainda nao conseguiu todos os seus objectivos, tenta alicia-la com promessas de uma vida melhor em pleno contraste com uma vida sem futuro e sem esperança. Ja agora isto tanto serve para os jovens da Tunísia como de outros países, incluindo na Europa. Os grupos radicais prometem-lhes uma vida muito melhor do que aquela que tinham e condições de vida propicias à estabilidade e à paz. A realidade porém é muito diferente como basta ver nas noticias e muitos jovens sentindo-se enganados, tentam regressar a casa com o risco das suas próprias vidas. Além da situação económica é preciso lembrar que a Tunísia faz fronteira com um Estado que se encontra em perfeita anarquia e com grande presença de grupos radicais islâmicos e que é a Líbia. Os dois terroristas do Bardo foram treinados nesse mesmo país. A situação so nao é pior porque o povo tunisino é mais esclarecido e "iluminado" do que outros povos do mundo árabe. Ao contrario de outros Estados que se fecharam no dogma religioso, a Tunísia abriu-se a novas interpretações do mundo sem renunciar à sua herança islâmica. Habib Bourguiba, uma espécie de marquês de Pombal do século XX tunisino foi um dos principais impulsionadores dessa transformação social que permitiu ao país abertura à modernidade, igualdade e democracia, principalmente no tocante aos direitos das mulheres. Depois disso, o povo tunisino sempre soube defender essa quase exclusividade no mundo muçulmano. Basta ver como se revoltaram por exemplo quando um partido islamista esteve à frente do governo no período pos-revolucionário, permitindo que outros grupos ainda mais extremistas começassem a tentar impor a sua ideologia. Felizmente esse partido já nao representa o governo, infelizmente isso nao impede a actuação dos radicais islâmicos. No entanto e apesar da ameaça, o movimento islamista representa uma minúscula percentagem na sociedade tunisina e nao se pode por isso generalizar um acto terrorista a toda uma nação. Torna-se assim imperativo responder ao ataque ao turismo tunisino (o museu do Bardo é dos mais visitados de Tunes) com viagens. Muitos dirão que é um país inseguro, ainda por cima depois deste atentado. Bom nao nos deixemos enganar pelo medo. Estive la em 2013 e posso dizer que tive mais receio pelo transito do que um eventual atentado. A verdade é que a Tunísia ainda é dos países mais estáveis e seguros do mundo muçulmano. E visitar-lo nesta altura ou no futuro seria além de uma grande ajuda para a economia tunisina (muito dependente do turismo), uma forma de dizer que nao temos medo da ameaça fundamentalista. Como já disse varias vezes em artigos anteriores, se a Tunísia cai em maos islamistas é o pior que pode acontecer  para o desenvolvimento da democracia na região e por influência pode ter um impacto negativo na Europa. Torna-se por isso necessário solidarizar-mo-nos com a Tunísia e denunciar o terrorismo para que o Estado democrático continue a servir de farol para todo o mundo árabe e também para o mundo ocidental, em crise de valores. Se a democracia ganhar, a Tunísia pode servir de exemplo a outros povos do mundo árabe. Se perder, a Europa vai ter ao sul uma outra ameaça islamista que pode por em causa a estabilidade da região. Mas vamos acreditar que o povo tunisino vai continuar a saber defender a sua democracia!

19/03/2015

Alors vous avez voulu éteindre la lumière tunisienne? Et bien, vous avais raté! La lutte pour la paix continue!



      Mon coeur souffre encore la tristesse d'un jour tragique et ténébreux. Un jour que je craignais mais que je jamais cru comme étant trop passible d'être réel. C'est été hier. Un jour que n'aurai du pas exister, que tout le monde aimerait qu'il fuisse faux. Mais la vérité de la violence avait frappé l'espoir des rêves d'une nation en transformation. Lourd bilan humain, lourd coup de marteau terroriste contre un peuple ouvert au progrès et à la modernité. En ce moment je suis en tran de lire une revue sur le siècle des lumières. Cette époque ou des scientistes, philosophes et écrivains développaient une nouvelle vision du  monde centrée dans la raison, l'optimisme et l'Homme. Des gens qu'on cassé les murs du obscurantisme religieux, du enseignement basé dans la tradition et pas dans l'observation. Une révolution des idéaux, une révolution qu'a changé le monde. Ce que c'est passé hier en Tunisie a été aussi un essaie pour éteindre la lumière de la démocratie dans le monde arabe. Encore un attaque au progrès des lumières, à la liberté et à la démocratie, à la paix et à la coexistence. Cette lute acharnée entre la raison et le radicalisme est passé de l'Europe dans le XVIII siècle jusqu'à nos temps actuels et partout dans le monde. Menace aveugle de la haine par des gens qui cherchent a recréer le chaos dans la Terre, a nous faire reculer a des temps immémoriaux. Mais comme toujours, ils ont raté l'objectif. Malgré la violence, malgré la tragédie, la lumière en Tunisie continue bien allumée. Le chemin pour un futur pacifiste continue d'être construit. Il aura encore des difficultés, peut-être un autre attentat terroriste (j'espère bien que non) mais à la fin le peuple tunisien vaincra et soulèvera très haut la lumière de la paix! C'est ça la réalité, c'est ça le destin!

18/03/2015

Le vrai suicide français!


     Pour une France démocratique, pluraliste et égalitaire, le futur ne peut pas être dominé par un Parti fasciste, raciste et ancré dans le passé ou alors ça sera le vrai suicide français. Quand il y a des problèmes on doit chercher une solution crédible, même si difficile et non empirer la situation! Cette carte montre le futur de la France si FN gagne. C'est ça que les français veulent?

10/03/2015

As leis mais sexistas do mundo!

 
          Conheça aqui as leis que mais prejudicam as mulheres em todo o mundo*:


Leis do trabalho:

- Na Russia as mulheres estão proibidas em todas as profissões difíceis, de risco para a saúde. (456 profissões no total.)

- Na Guiné uma mulher que queira ter uma actividade diferente da praticada pelo seu marido, deve obter a autorização deste. Se ela nao a obtiver, a actividade é ilegal.

- No Yemen uma mulher nao pode deixar a casa senão com uma autorização expressa e para uma tarefa  afixada de comum acordo.



Leis do casamento:

- No Líbano e em Malta um homem que rapte uma mulher pode escapar à justiça se casar com ela.

- No Congo uma mulher deve obter autorização do seu marido para todos os projectos. Um acordo que pode ser revogado pelo marido a todo o momento.

- No Egipto qualquer um que mate a sua esposa em pleno adultério, vera a sua pena reduzida.

- Em Israel uma mulher casada nao pode divorciar-se sem o consentimento do seu marido.



Violências:

- Na Nigéria os actos de violência de um marido à mulher para a corrigir sao legais.

- Na Índia as relações nao-sexuais de um marido com a sua própria mulher nao sao consideradas como violação se ela tiver mais de 15 anos.

- No Estado de Minnesota nos EUA, as mulheres vitimas de violação podem ser obrigadas a reembolsar o exame que prova que a agressão teve lugar.

- No Afeganistão as mulheres xiitas podem ser privadas de alimento se recusarem terem relações sexuais com os maridos.



Outros:

- Na Tunísia, as mulheres so podem herdar metade da fortuna familiar.

- Na Arábia Saudita as mulheres sao proibidas de conduzir.

- No Irao, o testemunho de uma mulher vale duas vezes menos que o de um homem.

- No Madagáscar as mulheres nao podem trabalhar à noite em "estabelecimentos industriais".


   Como se vê apesar da luta de séculos, a igualdade ainda é uma miragem em algumas partes do mundo e por isso essa luta deve e tem de continuar. A propósito disso a organizaçao "Equality Now" que milita pelos direitos das mulheres começou uma campanha contra as leis discriminatórias existentes no mundo. Se quiser saber mais visite o seu site http://www.equalitynow.org/.
 



*Fonte: Infographie: les  lois anti-femmes les plus hallucinantes au monde

     

08/03/2015

Kubra Khademi - the astonishing courage of a afghani artist!


(Photo: Massoud Hossaini/AP)

    Sometimes there is someone that with simple but amazing acts show a inspiring power that lead people to think about what is wrong in the world. It can be a speech, a movie, a poem or a artistic performance like in this case. As we all know, Afghanistan is known for being one of the worst ranked countries on women rights issue. Apart the male dominant symbolic dress known as Burka that only for  itself represents an example of humiliation towards women, they are constantly harassed, beaten or even stoned and worst of all they are taught to accept that situation during their life.  All this, the image of a conservative society where man is a ruler all the way and woman must submit to his thought.
    It was against this situation that the afghani artist Kubra Khademi made a alarming as dangerous protest in the streets of Kabul. At the age of 4 she was molested by a stranger in the street and at that moment she thought: "I wish my underwear was made of iron." More than 20 years later she made that thought became truth and she wore a armor in open space to protest against harassment. But the protest didn't took long time. After only 8 minutes she had to stop it and escape to the car after being repeatedly  insulted, touched, beaten and even some people thrown stones against her. Now she's hidden at friend's house fearing for their life.  

     During her life she was many times molested and one of these times, in 2008, she screamed for help but instead of receive what she expected she received a negative reaction from the mob that started yelling at her: "You whore! How dare you scream? Did you enjoy it?" In this unique sentence is possible to see all the weight of a extremely conservative society where women have no rights, no independence and where they must live always under men's orders. That sentence also show the risk she took at going to the streets with that armor. Even knowing that, she didn't had afraid because for her the most important was to protest against this kind of male vision, against the empire of harassment, against the lack of courage of many women that accepts this absurd situation. The most ironic is that even women dressing the burka are harassed despite this dress be justified as to protect women from undesirable looks. 
     Since US invasion in 2001 and taliban's expulsion, the situation improved a little as billions of dollars have been used to cut maternal mortality rates, boosting women's access to health care and education but change is very slow and that's why she received death threats and was accused of being a US spy during her performance. But in the end at least one person seems to have understood her attitude. A child that was viewing that performance said: "Look at that girl. She doesn't want to be touched." At least, there are always hope!
    Congratulations to Kubra Khademi for this wonderful and above all courageous protest!